Patrocinio / MG - segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Perda de Peso

Emagrecimento: em busca de um milagre.

Por Karina Alvarenga Ribeiro
Médica CRM - MG 40811 
Endocrinologia e Metabologia
Especialização em Nutrologia
A mídia traz, diariamente e em ritmo frenético, pílulas novas, alimentação substituta, shakes e vários outros tratamentos que prometem a tão sonhada perda de peso. Entretanto, embora pareçam promover um sucesso inicial, estes tratamentos acabam fracassando e sendo substituídos por outros “novos e promissores milagres”.
É fato conhecido de todos que a obesidade é um problema sério de saúde pública. Em todo o mundo, existem cerca de 1 bilhão de pessoas acima do peso e 300 milhões de obesos. Em nível de Brasil, 40% da população está acima do peso e a obesidade infantil tem sido a maior preocupação dos especialistas na área. Pesquisadores de todos os países tem buscado encontrar um tratamento eficaz e definitivo para o problema. 
Grande parte do insucesso nessa busca decorre do fato de frequentemente ignorarmos que a obesidade é uma doença multifatorial e necessita de abordagem interdisciplinar para a produção de resultados efetivos no tratamento. 
A ideia de um tratamento prático e ágil para a obesidade e o sobrepeso já está arraigada na sociedade. Pude perceber isso nas mensagens de sugestões de temas para serem discutidos aqui. Vários e-mails solicitavam que eu escrevesse sobre “Metabolismo”.
As pessoas não desejam “emagrecer”. Não desejam informações sobre como podem elas mesmas conseguir sucesso no tratamento para perda de peso. Desejam “ser emagrecidas” sem esforço próprio com uma fórmula mágica, uma pílula mágica, uma massagem fantástica, uma máquina (lipo sem cortes) do futuro que trará o milagre do peso ideal e da forma corporal vendida na mídia. As pessoas esperam que eu dê uma solução para que o metabolismo se acelere e elas emagreçam. 
Me rendi às sugestões. Afinal, para que servem os amigos? Vou discorrer sobre o assunto, mas vou partir de uma convicção de alguém que já perdeu 30 kg e até hoje mantém a vigília com a saúde – e não com a mídia. 
Como começar um tratamento para perder peso?
A maioria dos colegas diria que o começo seria uma avaliação endocrinológica ou cardiológica, um teste ergométrico e exames de sangue (glicose, colesterol e tireoide). Todas estas medidas são importantíssimas e devem ser realizadas anualmente, mas no meu ponto de vista, o começo do tratamento deve ser uma boa avaliação psicológica. 
Parece incoerente e sem sentido aos olhos de muitos, mas eu explico.
Independente do tratamento proposto, o mais importante é o grau de motivação do paciente. É isso que o leva a se engajar no tratamento, seja ele qual for. Acredito que os Psicólogos devem ser nossa linha de frente nessa avaliação, por vários motivos: experiência, qualificação, tempo com o paciente e tantos outros. 
Um bom método para avaliar a motivação para a mudança é o chamado “método transteórico”. Esse modelo também é bem útil no decorrer do tratamento. Partindo dele, devemos saber por qual motivo o paciente vai em busca de tratamento, ou seja, qual sua motivação. 
Motivação intrínseca – desejos, necessidades e metas da pessoa, como por exemplo, ter boa saúde, prevenir doenças, melhorar a condição física, dormir melhor, ter mais disposição, respirar melhor e até mesmo melhorar a autoestima. Estas são recompensas naturais da perda de peso.
Motivações extrínsecas – é uma resposta a recompensas ou punições sociais/ externas. Exemplo muito comum: emagrecer para casar ou para algum evento social. Outro mais comum ainda: “meu marido me traiu porque estou gorda”. 
É preciso entender que apenas as motivações intrínsecas são preditoras de sucesso no tratamento. Os profissionais envolvidos nessa luta devem estimulá-las. 
Para o modelo transteórico, a mudança ocorre ao longo do tempo passando por estágios bem caracterizados. Esse modelo foi estudado inicialmente por Prochaska e DiClementi (1982) e complementado por Toral e Slater (2007):
1. Estágio da Pré-contemplação: A pessoa não pretende mudar em um futuro próximo. Há resistência em reconhecer o problema ou pouca motivação para mudar o comportamento por falta de informações a respeito ou por tentativas anteriores frustradas. O paciente não reconhece as práticas alimentares inadequadas ou não tem a motivação necessária para alterá-las.
2. Estágio de Contemplação: Admite que tem um problema e começa a pensar em mudar, mas ainda não se compromete. Reconhece a necessidade e os benefícios da mudança, mas não se mobiliza. Faz uso de desculpas: “falta de tempo”, “preço alto”, “não estou pronto”, “não é a melhor época”, “o que os outros vão dizer...”. 
3. Estágio de Decisão (preparação para a ação): São realizadas pequenas mudanças, mas não há persistência: “vou iniciar regime na próxima segunda”, “vou despedir para depois iniciar dieta”, “vou reservar finais de semana para família”, “só estava nervoso e não resisti à sobremesa”, “neste fim de semana vou ter três festas”, “tenho um filho que come doces e guloseimas” . 
4. Estágio de Ação: As barreiras são superadas e atitudes são tomadas. Há modificações no comportamento, atitudes e padrões relacionais. O “objetivo” é encarado de frente e o esforço realizado de forma concreta. As mudanças já duram mais de seis meses. Redução na ingestão de alimentos gordurosos, prática regular de atividades físicas, contratação de um personal e principalmente a coragem para enfrentar o próprio Eu em uma terapia psicológica.
5. Estágio de Manutenção: Paciente realmente consegue incorporar na Vida o estilo de alimentação saudável e a realização de atividade física. O tratamento deixa de ser um peso, mas torna-se uma rotina prazerosa e compensatória. Tem padrão psíquico mais equilibrado, deixando de tratar a comida como drogas aliviadoras de tensões emocionais ou recompensas por um dia difícil ou pelo estresse. 
Esses estágios refletem diferentes níveis de consciência do problema, de como o paciente vê a situação e seus diferentes graus de empenho para enfrentá-lo. É importante que um Psicólogo faça uma avaliação cuidadosa do paciente quando ele busca ajuda. Em que estágio (dos descritos acima) ele se encontra? A forma correta de ajuda-lo e a forma como reagirá ao tratamento pode variar muito, dependendo de em qual estágio ele está.
E isso é o que eu espero de um profissional de psicologia quando solicito acompanhamento de um paciente para perda de peso. Diagnosticá-lo e orientá-lo para auxiliar na superação das barreiras emocionais que o impedem de evoluir na busca de uma vida saudável. 
Tratar a obesidade e perder peso é buscar o equilíbrio em todas as faces do ser: alimentação, atividade física, repouso e emoções. É descobrir o amor próprio. É ter coragem para enfrentar o EU verdadeiro e se posicionar diante do mundo, descobrir e assumir seu lugar. Emagrecer é simplesmente delicioso. Indescritível.

Superando Barreiras para Emagrecer

Como descrito no texto anterior, a primeiro passo a ser dado é descobrir em qual estágio emocional o seu “Eu’ está posicionado. 
- “Será que aceito que é necessário mudar?”
- “Estou preparado para realizar essas mudanças?”
- “Quais são as minhas motivações (intrínsecas ou extrínsecas)?”
- “Necessito da ajuda de um psicólogo?”
Após esta etapa, que envolve a compreensão e o enfrentamento dos problemas emocionais, partimos para os passos práticos e metódicos. 

Como acelerar o metabolismo?
Este é uma assunto importante e longo. Vou precisar dividi-lo em dois artigos. 
Respondendo essa pergunta, tão presente nos e-mails recebidos, começo pela definição do conceito de “Metabolismo”. 
Metabolismo é um conjunto de transformações químicas no interior dos organismos vivos. Estas transformações são responsáveis pelo processo de síntese e degradação dos nutrientes. O metabolismo pode ser dividido em: anabolismo e catabolismo. Reações anabólicas ou de síntese são reações que produzem nova matéria orgânica. Catabolismo são reações de decomposição e, com isso, produção de grandes quantidades de energia. Quando o catabolismo supera o anabolismo temos perda de massa e, se o contrário ocorre, temos ganho de massa. Dito isto, talvez a pergunta correta seja: Como posso aumentar o meu catabolismo?.
A genética determina 80% da taxa metabólica basal, outros 20% são modificáveis pelo ambiente e comportamento do indivíduo. Entretanto 60% dessa taxa metabólica é utilizada para manutenção de atividades vitais como respiração, batimentos cardíacos, sono e outras. Ou seja, é importante e, de grande valia, a mudança dos 20% da taxa metabólica basal. Realmente faz a diferença no tratamento da perda de peso.
É importante evitar comparar dois indivíduos, pois a capacidade de perda de peso e de metabolizar pode variar entre eles conforme algumas diferenças na genética, idade, altura e sexo. Os homens possuem maior gasto energético e, com isso, mais facilidade de perder peso. Também já se sabe que a taxa metabólica basal diminui 2% a cada década de vida e em cada gestação, com influência e variação genética. Além disso, é preciso gastar mais energia para manter vivo um indivíduo de 1,90m do que uma pessoa de 1,50m; assim, o metabolismo dos pacientes mais altos é um pouco melhor do que dos mais baixos. Apesar destas particularidades, podemos melhorar o gasto energético basal de qualquer pessoa com algumas mudanças. Existe uma luz no fim do túnel. Não há motivos para desistir. 
A primeira providência a ser tomada é ingerir bastante água. Um ser humano adulto possui em média 70% do peso corporal constituído de água. Como o metabolismo é um conjunto de reações químicas, precisa de água para ser otimizado. É necessário dizer que a água não pode ser substituída por refrigerantes ou sucos. Esses compostos também necessitam ser metabolizados e, com isso, tornam mais lento o gasto energético. Além disso, muitos contém conservadores, que também deverão ser eliminados, dificultando ainda mais o metabolismo. Um adulto saudável deve ingerir em média 35ml/kg de peso de água. Como exemplo, pense em um indivíduo de 50kg. Ele deve ingerir em média 1.750ml ao dia.
Outro meio de colaborar com as reações catabólicas que levam a tão sonhada perda de peso é diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas e o tabagismo. O álcool também fornece energia. Cerca de 7kcal/grama. A energia fornecida pelo álcool é armazenada na grande maioria das vezes na forma de gordura e depositada em qualquer região do organismo, formando as gordurinhas localizadas. Outro fator relevante vem do fato de que o álcool e o cigarro geram fatores oxidantes que atrapalham as reações químicas e diminuem o metabolismo. 
Boa parte do metabolismo pode ser acelerado com essas duas providências. Ainda há muito o que discorrer sobre o assunto, mas deixo como sugestões a tentativa de mudar esses dois hábitos: Ingerir muita água, não substituindo a mesma por outros líquidos, e diminuir a ingestão de álcool. 
Existem várias possíveis motivações internas para conseguir atingir estes objetivos: melhorar a disposição, evitar diabetes causado pelo álcool, melhorar o funcionamento do fígado ou ficar livre da gastrite ou outros problemas intestinais causados pelo álcool. Além disso, hidratar-se e diminuir a ingestão de álcool são atitudes que preservam as células que combatem o envelhecimento precoce. Apenas motivações internas predizem sucesso na busca pelo peso ideal e reconquista da auto-estima.
Várias motivações internas podem ser geradas na tentativa de alcançar esses objetivos: ter melhor disposição, evitar diabetes causado pelo álcool, melhorar o funcionamento do fígado, se ver livre de uma gastrite ou de problemas intestinais caudados pelo álcool. Além disso, maior hidratação e a diminuição da ingesta alcóolica preservam a célula e combatem o envelhecimento precoce. Apenas motivações internas são preditoras de sucesso na busca do peso ideal e na reconquista da auto estima.

AAcelerando o metabolismo.

Por Karina Alvarenga Ribeiro
Médica CRM - MG 40811 
Endocrinologia e Metabologia
Especialização em Nutrologia
Em textos anteriores falamos da importância de fatores emocionais e da ajuda psicológica na perda de peso. Também discorremos sobre a necessidade de ingerir de água e diminuir bebidas alcoólicas e cigarro para acelerar o processo. Como esse assunto é longo e tem vários aspectos, vamos prosseguir com a discussão. Importante destacar que a leitura do primeiro artigo é importante para compreender este.
Para eliminar os radicais oxidantes – substâncias que intoxicam o organismo – podemos usar alimentos naturais como verduras e frutas, além de evitar produtos industrializados. As verduras e frutas ajudam a acelerar a taxa metabólica basal por terem o papel de desintoxicação, fornecem vitaminas e substâncias que vão nutrir e fortalecer nossas células. Assim, uma medida importante para a perda de peso é aumentar a ingestão de produtos naturais e reduzir os industrializados. Diante disso, respondo a uma pergunta enviada por e-mail: O paladar é treinável. Não precisamos gostar de todos os legumes e verduras, mas podemos treinar a aceita-los. 
Ainda faço um parêntese para explicar que gorduras e carboidratos “viciam” o cérebro. Por isso, no início de uma dieta é tão difícil suportar o mau humor, as dores de cabeça, tonturas e outros sintomas. É comparável à síndrome de abstinência enfrentada pelos usuários de drogas. Varias pesquisas já provaram essa dependência pelas guloseimas. 
Outro fator para vencer o ganho de peso e acelerar o metabolismo é combater de forma eficaz o estresse e ter um sono reparador. Quando o indivíduo se encontra frente a estresse importante ou quando não tem  um sono reparador, entra em um estado chamado “pseudocushing”. Libera no sangue uma quantidade grande de um hormônio chamado Cortisol, que pode levar à diminuição do metabolismo e ao ganho de peso. Por isso é necessário organizar a jornada de trabalho e as horas de sono. O segredo da vida é atingir o equilíbrio. Se as mudanças não são possíveis de forma imediata, motive-se para que sejam feitas a longo prazo.
Normalmente culpamos a glândula tireóide pelo metabolismo baixo. Em parte isso é correto, mas é necessário fazer uma boa análise. Os hormônios produzidos pela tireóide necessitam de substrato (comida) a cada 3 horas para a sua conversão periférica – sua metabolização. Assim, quando não nos alimentamos de 3/3horas ou mesmo quando pulamos o jejum a tireóide pode não funcionar adequadamente, o que leva a diminuição do metabolismo.
Para o fim eu guardo o principal: atividade física. Com certeza o sedentarismo é o maior inimigo do metabolismo. Para ativar nossas reações químicas que levam a perda de peso, precisamos movimentar nosso corpo. Todo tipo de atividade física faz bem à saúde, mas para melhorar o metabolismo, devemos priorizar a musculação.
Quando estamos acima do peso desenvolvemos o que os cientistas chamam de “sarcobesidade” ou "sarcopenia" da obesidade. Isso é, perdemos massa muscular e ganhamos gordura. 
O músculo gasta mais energia para se manter vivo. Assim, quanto mais músculo, maior o gasto energético e melhor o metabolismo. Por isso, a visão antiga de que atividade aeróbica deve ser priorizada como forma de acelerar a perda de peso, deve ser abandonada. Óbvio que precisamos do exercício aeróbico para o bom funcionamento dos nossos órgãos e sistemas. Entretanto, corre-se o risco de prescrevermos apenas essa atividade e o indivíduo estacionar na perda de peso. É preciso vencer o que chamamos de “sarcobesidade” desde o início do tratamento. 
Recebi várias perguntas sobre de que forma as pessoas que tem hipotiroidismo podem acelerar o metabolismo. Todo mundo que tem hipotiroidismo vai ser obeso e engordar? A resposta é "não" e ela está relacionada ao item anterior. A única forma de acelerar o metabolismo de um hipotiroideo é a musculação para aumento da massa muscular. 
Normalmente as pessoas têm medo de que o ganho de massa seja intenso a ponto de não ver na balança a perda de peso. Porém, isso não é verdade. O obeso ganha massa muito lentamente e a balança vai detectar a perda de peso. Não é preciso, também, ter medo de ganhar muito músculo, a ponto de prejudicar a estética. Esse ganho é lento e progressivo. Se associado ao exercício aeróbico, promove um corpo emagrecido e tonificado de forma correta. 
Aqui também está a resposta a  outra pergunta enviada: aqueles que já perderam peso e falta apenas poucos quiilos como 3 ou 4, também devem insistir na musculação e esperar resultados a longo prazo, ás vezes, após anos de treinamento. 
Estes são todos os meios de acelerar o metabolismo. Ingerir muita água, diminuir ou até mesmo abolir álcool e cigarro, praticar atividade física com freqüência, melhorar a qualidade dos alimentos ingeridos dando preferência para alimentos naturais e descartando frituras e guloseimas, comer de 3 em 3 horas para ativar os hormônios da tireoide e ter equilíbrio nas horas de sono e na carga de trabalho. 
Emagrecer traz de volta a qualidade de vida e auto-estima. Por isso, vale a pena  fazer alguns sacrifícios iniciais. Depois de um tempo de mudança de estilo de vida, o que é sacrifício vira prazer. 
Costumo brincar que é difícil fazer esse tratamento, mas por outro lado, nunca vi nenhum paciente se arrepender de estar magro e saudável. Nesse caso, os fins justificam os meios.